sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Latência

Guardado num canto, com a música, a inocência e a entrega, você estava inofensivamente reservado como lembrança. Mas o telefone tocou....você retornou...
Reservo em mim a esperança e o desespero da espera. No entanto, coringado seu nome me vem a tona, ciclicamente. O acaso que já gosta de zoar com a minha cara, não colabora, me sela com a a defesa da diferença do algo a mais...e, como não se fosse o bastante, entre uma escrita e um suspiro, toca nossa canção:

"Não vou viver como alguém que só espera um novo amor...
-Vou deixar a rua me levar, ver a cidade se ascender
A lua vai banhar este lugar e eu vou lembrar você..."

Eu ainda vou rir disso. Juro. Que ironia, não?
Entre a dúvida do por acaso e a certeza da providência divina, de ambas as formas você aponta como melhor opção. Ou não. É sofrido. É doloroso. Permanece em mim o fracasso de superar distância. Eu que nunca fui boa nessas coisas, merecia pelo menos algo certo...algo perto...mas algo como eu, só você...só distância. Porquê? Podia tudo ser tão mais frio, mas nada a ver, mas opcional. Mas, você sou eu. Em tudo. E eu me sinto tão bem comigo. Acho que minha opção...é permanecer latente...encubada, cristalizada como algo que espera a presença da oportunidade para expressar toda sua potência. Você em mim, meio do meio, ainda um tanto quanto sem recheio, no entanto, mesmo assim, se me perco há chance em encontrar nos teus braços que é meu habitat.

resta-me esperar.

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