terça-feira, 31 de julho de 2007

Tampa de Cumbuca - A saga de Uma Amélia (parte II)

Mamãe é um caso sério.
- Ai, arrumando a casa assim, você nem parece menina que quer casar.
O.o
Não sei da onde ela tirou essa idéia. Não que eu não queira casar, mas eu nunca dei esperanças a ela que eu fosse igual a ela. Que fizesse tudo em prol do bem-estar da minha imagem com os familiares, com os amigos, com o meio. Eu me preocupo, mas não essencialmente com que as pessoas pensam. Eu sou tosca mesmo, de vez em quando relaxada, exagerada, exótica. Como um animal que é estranho diferente e as pessoas para não serem preconceituosas chama de exótico.
Ah, sei lá. mamãe reclama de eu não ser delicada tá, tudo bem. Eu sou meio macho mesmo. É que, eu não forço sabe. Não o tempo todo. Você num tá entendendo é? Vou ser bem direta: Genteeee, a gente finge né! Mulheres fingem sentir medo, vergonha, cheia de frescuras pra dar uma brecha pros homens acharem que são mais seguros de si e controladores da situação. Aaaaa, nem vem, é assim mesmo tá. Vai me dizer que você sente cosquinha em tudo quanto é parte do corpo???? Vai me dizer que precisa fazer escândalo por causa de bichinho voador??? Precisaaa??? Ah, eu sou diferente mesmo.
Na boa, amigo meu uma vez disse que eu sou muito homenzinho.
Aaaa, por quê??? Por que eu não dou mole forçado??? Por que eu faço piadas melhores que as dele? Ai, isso é complicado demais. Eu não sou rancorosa, nem macho, nem gosto de ser vista como um. Eu só me acho de uma natureza peculiar. Uma cumbuca.
Toda panela, tem sua tampa. Logo, eu sou uma cumbuca. Não tenho tampa.
Eu sei me arrumar, sei ser educada, sei ser delicada, do meu jeito, mas delicada. Eu não digo o que as pessoas querem ouvir, ao menos que seja realmente verdade.
Eu supero, eu sei que supero. Mamãe que tem que aceitar o fato de eu não ser como ela, o fato de que a criação dela enriqueceu-me muito mais além das aparências. Pô mamys, você sabe. Eu sou assim. Caramba, eu cozinho bem, sou uma ótima maquiadora, cabelereira, pinto, canto, escrevo, interpreto e sou estudiosa. Nem assim a fama de encalhada sai do meu pé. Que coisa! Aliás...eu acho que é isso....esses dias eu li que as mulheres mais estudadas casam mais tarde... Provavelmente com homens menos "habilidosos" ou com mais velhos, claro, que tiveram a graça de dedicar-se muito tempo ao profissionalismo e só agora deram-se conta que precisavam ou que é bom constituir família. Mas enfim né. A culpa não é minha. Não é isso que é futuro??? Então...eu prefiro acreditar na mudança das estatísticas e acreditar que os homens da geração "futuro" estão escondidos em algum lugar.
Por que agora? Eu não vou parar de estudar não. Também não me importo de ser diretora de uma grande empresa, mandar em vários homens não. Rs. Brincadeirinha. O rumo da conversa é outro. É possível saber e perceber como a globalização tem afetado até a afetividade da mulher. E colocado obstáculos. Algumas hora na história decidimos ocupar lugares iguais e como castigo temos ficados solteiras para todo o sempre. Sem final feliz com casamento. Mas a questão é, quem disse que esse é o único final feliz né? Levantai-vos Cumbucas! E que venha o tempo dos neo-contos de fadas, onde o final é sempre feliz, e é você quem o escolhe! Você Decide!

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