quinta-feira, 12 de julho de 2007

Aprendiz da realidade I

Ando na calçada, alguém vem atrás de mim, vejo a sombra a minha frente. Alguém que eu já nem sei se é confiável, um estereótipo indecifrável, mutável, perspicaz, fullgás. A mídia até tenta, mas hora é rico e branco, hora pobre e preto sem estudo (o tradicional) hora uma combinação entre esses dois, ou pode ser uma grávida também, mulher de traficante ou mandante no tráfico, enfim, pode ser qualquer um. Um alguém que pode ser um zé ninguém ou um alguém importante, um alguém que sempre será um pronome indefinido repleto de adjetivos subjetivos.
A gente usa prefixos, sufixos e crases e acelera o passo e segura a bolsa, procura um conhecido. A gente faz cara de mau ou de medo e tenta se proteger com sei lá o quê.
O alguém, agora como sujeito, substantivo propriamente se aproxima, e mais...ai...e mais...AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAIIIIIIIIIII!
- ai, desculpa, mas a senhora me informa as horas?
A gente pensa. Pára. Responde e pede desculpa em pensamento. E aí? Até quando o mundo vai fazer isso com a gente?
Eu quero muda-lo sim, não porque é bonito, mas porque é necessário.
Porque houve um dia em que não era assim.
Houve um dia em que revolução não era utopia, nem vandalismo, nem exceção
Houve um dia que as canções de sucesso motivavam as pessoas a mudar e elas queriam e faziam isso. Não era só bonitinho, ou modinha. Era inspirador.
E aí reclamam que eu só escuto música antiga, que sou nostálgica que tenho um espírito revolucionário. Eu digo: quem dera! Revolução pra mim vem ao pé da letra, para modificar e fazer algo novo. Não adianta somente pensar: Nossa, como mundo está não é? A que ponto chegamos!!! É preciso falar e mudar nas pequenas atitudes mesmo. Infelizmente, eu só posso fazer isso, mas isso eu faço com prazer, por acreditar que, do meu jeitinho minúsculo e insignificante eu posso significar alguma coisa pra alguém. Ou para algo. Ou para ninguém, mas mesmo assim, eu acredito estar fazendo o possível. O impossível a gente vai aprendendo com Papai do Céu.
A gente cansa de viver mais ou menos de vez em quando. A gente faz uma canção clichê e joga fora, mas sabe que faria sucesso. E o mundo não pára quando você é assaltado e escreve algo de veras, legal. O mundo não pára quando você descobre que seu colega da escola pública, aquele que parou na 5ª série, foi assassinado porque devia drogas ao seu outro colega, primo de 2° grau da melhor amiga da sua prima, aquele que cursava administração na particular e se matou depois ser torturado pelos policiais, que concerteza alguém de influência também conhece. O mundo não pára. E a gente acorda e diz, cheio de saúde: Ai, Hoje acordei meio tiiiiissstiiii.

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